Image result for sumie samurai

O quanto você está preparado para a pior das dificuldades?

O único momento real é o do momento presente, todos os outros momentos são frutos da nossa imaginação. Acreditamos que elas estão acontecendo, porque sentimos no corpo e efeito das emoções e dos pensamentos, porém isso só é possível quando se tem julgamento de valor. Esse último trecho pode ter torcido seu nariz, mas vale a reflexão, pois dificilmente vai lembrar de momentos neutros que aconteceram quando comparados com momentos bons e ruins… Muito menos vai gerar uma expectativa com um objetivo neutro. Isso seria bem estranho….

Sabe quando você chuta o pé da cama com o dedo mindinho? Esse é o momento presente, e provavelmente no exato momento, não existe sensação, pois a dor vem depois e se sustenta dependendo da sua sensibilidade. Ela também vai ser influenciada pelas suas crenças a dor, por exemplo: Vamos supor que você na hora do impacto apenas aperta o local com as mãos e de repente surge um pensamento, “acho que meu dedo quebrou”, a partir daí, tudo pode acontecer, até que você percebe que seu dedo não está quebrado. Apesar da dor persistir, não existe uma elaboração de pensamentos catastróficos sobre o fato e você pode tomar providências. Simples? Não! Nem sempre é assim, pois dependendo do nosso humor, podemos agir de forma diferente e nossa imaginação é bem fértil nesse momento.

À partir daí, a única ação para se tomar, é parar e colocar a cabeça no lugar (ou o dedo, rs), entrando em contato com as reações do corpo, notando como ele fica descontrolado, modular a respiração é bem interessante, pois ela é uma boa âncora que sustenta nossa atenção sem deixar que ela devaneie. Após nos acalmarmos, ou seja, estar conectado com o momento, podemos enfim, tomar providências cabíveis. Particularmente, procuro refletir muito diante das situações adversas, pois esse momento de descontrole é essencial para entender como minha mente funciona. Afinal de contas, eu só vou poder ter “controle” sobre ela se eu a conhecê-la.

Refletir sobre as situações adversas pode ser um bom momento para se fortalecer para a próxima vez, porém essa situação adversa não necessariamente tem que ser vivida por você, já que pela empatia podemos ter a mesma experiência com outra pessoa que passa por essa situação

O que isso tem a ver com o título desse post? O excesso de cuidado e zelo pode trazer prejuízos na formação de uma sociedade, pois cria uma mentalidade de que situações adversas não vão acontecer, pois estou protegido. O fato é que quando acontece, a dificuldade em lidar com a situação vai levar ao sofrimento. Com isso, nada se pode fazer, até que a confusão acabe. O início vem de uma criança que não tem limites e que faz o que quer, até se tornar um adolescente rebelde, já que ele pode tudo mas no fundo ele não tem nada e se der sorte, será um adulto capaz de sobreviver nesse mundo hostil.

A vida passa muito rápida e não temos como prestar muito atenção a ela, pois existem muitas informações para serem decodificadas. A única forma de se aperfeiçoar em estar preparado para a vida como ela é, seria separando um tempo para praticar isso. O esporte parece ser um treinamento que ajuda muito, já que emoções e experiências são vivenciadas de forma controlada, onde podemos manejar pouco a pouco. Dentro desse contexto, acredito que a arte marcial seria a melhor opção, pois você entra em confronto com seu corpo (aprendendo a coordenar), depois aplica contra um adversário, muitas vezes mais forte (desconhecido) até entender que o verdadeiro adversário é você mesmo.

Particularmente, vejo isso no Karate-Dô Tradicional, que apesar de não ser um praticante exemplar, vivi essa experiência através do meu pai, Yasutaka Tanaka. Em vida, ele nunca foi de me explicar muito bem o que ele estava ensinando, se era apenas uma sequência de chutes e pontapés ou um fortalecimento do seu espirito. Por algum motivo, sempre acreditei nessa segunda opção, que a verdadeira essência seria um Karate para a vida. Após seu falecimento, isso foi comprovado com as atitudes daqueles que seguiam ele por todos esses anos. Ele era realmente um exemplo, um norte e isso é chamado de Shihan. Vendo tudo acontecendo realmente me impactou e me deu esperança de ver uma sociedade digna onde as pessoas possam conviver com suas indiferenças e seguir em frente.

Não são 1000 socos ou 2000 chutes que fazem um karateca, mas suas atitudes na vida. De que adianta ter tantos títulos no passado se hoje é um mau exemplo, ou se deixa de seguir em frente preso a uma identidade que já se perdeu no tempo. Uma das coisas que mais me chamou no meu pai foi a manutenção das atitudes, dificilmente ele saia do seu verdadeiro propósito. Seguiu um caminho fiel às suas crenças e nunca deixou se abalar por elas. Claro que ele sofria e muito às perdas e as frustrações da vida, mas sempre seguia em frente se mantendo no verdadeiro caminho, o Karate. Realmente, ele foi um grande mestre e suas atitudes hoje posso contemplar e refletir como algo precioso e que por mais difícil que seja seguir, é o que vou tentar usar como exemplo na minha vida para que meu filho possa ter a mesma clareza de que a vida passa rápido, as pessoas morrem, porém o que fica de positivo não se deve deixar morrer…

OSS

Quer receber artigos como esse?!

Coloque seu nome e melhor email para receber e interagir. Essa troca de experiências e vivências é única..