Os textos da Laurie realmente são muito inspiradores e vale a pena ler sempre para que os exercícios se aprimorem cada vez mais.

O que me chamou mais a atenção é o reforço que ela dá para a intenção. Ter clareza sobre o que está fazendo, no caso o exercício. A forma como está engajado é fundamental para que o treinamento se torne adequado, afinal de contas, nos distraimos com grande facilidade e precisamos resgatar nossa intenção a todo instante. Isso é praticar Mindfulness durante uma atividade.

Quando você cria habilidade para estar consigo, no seu corpo e notando os pensamentos, você está disposto a se conhecer melhor. O corpo rege suas necessidades, pois é através da sua sensação (perceptível ou não) que você vai reagindo. Você pode estar indo se preparar para dormir, mas se nesse momento lembra de uma preocupação, seu corpo logo se tensiona e você se agita.

Notar o pensamento e gentilmente trazer a experiência pro corpo pode te dar mais chances pafa dormir. Experimente. Caso não consiga dessa vez, tudo bem. Entre no modo em treinamento e seja compassivo com suas dificuldades. A minha sugestão nesse momento é realizar os exercícios conscientes. Escolha o que gosta de fazer e siga as 8 maneiras da Laurie.

Se você gosta ou pratica artes marciais, daí a prática se torna mais aprofundada. A própria arte marcial segue padrões milenares de desenvolvimento fisico, mental e espiritual, pois sua metodologia era para formar guerreiros. O tempo passou, a ciência colaborou e hoje, o inimigo é você mesmo. No caso, ele está ganhando as batalhas, onde grande parte da população se encontra ansiosa, depressiva, com dor e muitas vezes, doenças crônicas.

O Karate, por exemplo, tem a possibilidade de trazer muitas experiências positivas para essa reconexão, tudo isso porque ela te expõe ao risco (controlado) de se machucar. Portanto, você se empodera simplesmente por aprender a se defender, ou seja, aprende a lidar com as dificuldades. Em outras situações de risco a escolha (óbvia) é de evitação. O fato é que essa fuga amplifica o problema e nem sempre podemos fugir dele.

A metodologia do Karate segue normas de conduta ética que trazem princípios que muitas vezes são mal interpretados pelos ocidentais. Todavia, as intenções são bem claras, nada é ao acaso, tudo tem um significado ético e formal. O mais interessante é que o dia a dia acaba se misturando com esses gestos. Na verdade, esse é o objetivo do treinamento, transferir as atitudes para a vida.

Quando olho a metodologia do Karate vejo uma sincronia com as teorias de aprendizado motor que a ciência moderna prega, assim como nos modelos neurocognitivos que a neurociência vem explorando. Como pode o Karate seguir esses princípios científicos antes mesmo deles existirem. Minha aposta está porque ela funciona.

Aprender a dar um soco ou chute é fácil, qualquer um com uma boa motivação (raiva, por exemplo) é capaz de fazer. Agora, quando você dedica para aperfeiçoar o soco ou chute pela vida inteira buscando o golpe perfeito (ikken isatsu), ou seja, aquele que finaliza com apenas 1 golpe, aí sim você entendeu a beleza da arte marcial. Associar esse espírito à conexão do corpo/mente vai direcionar o treinamento para um outro nível. O de vencer a si mesmo.

OSS

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